Os últimos serão os primeiros? O interessante caso de Carlos.

Olá. Gostaria de dividir uma experiência interessante da época que comecei minha carreira em recrutamento em seleção.

Em 2009, em meu segundo ano como recrutador de uma multinacional, estava trabalhando uma posição de Diretor Financeiro para uma empresa nacional de médio porte. Já tinha o que os hunters chamam de “short-list”, ou seja, depois de falar com aproximadamente 80 profissionais por telefone, e destes ter entrevistado 25 pessoalmente, cheguei aos 5 que encontrei mais aderentes ao perfil da empresa.

Estava preparando o material para poder enviar no dia seguinte todos os currículos e as informações coletadas dos cinco finalistas. Durante o momento de que estava finalizando o meu trabalho, recebi a ligação de um candidato que havia postulado para a vaga e que nem sequer havia sido considerado para uma chamada telefônica, pois sua experiência nos últimos 15 anos haviam sido fora do Brasil e meu cliente buscava alguém com experiência em empresas nacionais de porte entre pequeno e médio.

Gentilmente lhe expliquei os motivos para o qual não poderia considerá-lo no processo e ele me pediu que assim mesmo o considerasse para pelo menos uma entrevista mesmo que proativa para futuras oportunidades. Como eu estava bem atarefado, lhe pedi que enviasse novamente seu material e que no momento oportuno iria agendar a entrevista proativa em uma data mais conveniente (típico dos recrutadores, não?).

No dia seguinte recebi novamente a sua ligação perguntando sobre a data e posterguei a agenda um pouco mais. E nisso o processo de Diretor Financeiro começou a andar… Em dois dias recebi novamente a ligação do insistente candidato que me explicou de forma direta os motivos pelo qual eu o deveria entrevistar. Era final do expediente de trabalho, quando então decidi acabar com aquilo e marcar uma entrevista para o dia seguinte.
No final da tarde do dia posterior chega então meu candidato, que vou chamar de Carlos.

Carlos chegou 5 minutos antes, trouxe um currículo impresso, e embora não tenha me impressionado nos primeiros 2 minutos, quando começou a contar sua história de vida fez com que uma entrevista que em média dura 45 minutos passasse para 2 horas (e que por sinal passaram voando). Contou detalhes de turn arounds que realizou em diferentes países e também deu exemplos concretos de liderança que me fizeram inclusive levar como ensinamentos para minha carreira.

No dia seguinte pela manhã, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para a gerente de RH e contar sobre o Carlos e explicar em detalhes o porquê da necessidade de entrevista-lo mesmo não sendo aderente ao perfil do job description. Me pediu que esperasse o feedback dos primeiros candidatos e eu fui insistente: falei que entrevistei a todos e na minha visão ele poderia ser a melhor solução para os problemas que a empresa estava enfrentando.
O fim da história vocês já devem estar imaginando, correto? Sim, Carlos foi contrato, segue até hoje na empresa, tem um excelente pacote financeiro, é considerado um funcionário chave e passou de meu candidato para cliente e depois amigo.

Pontos para refletirmos:

:: Como um candidato que nem sequer era considerado para uma pré-entrevista telefônica ultrapassou todos e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar?
:: Até que ponto o candidato deve ser insistente com o headhunter?
:: Qual a real influência do hunter como decision maker no processo de seleção do seu cliente?
:: Por que muitas vezes as soft skills e o desempenho na entrevista são mais importantes que qualidades técnicas na hora da tomada de decisão?

Por William Monteath
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