“O dia em que criei minha própria vaga”

Conheço muita gente aqui no LinkedIn – e com certeza você também conhece – que vive frustrado com o mercado. De fato, passamos por anos muito complicados e recém começamos a sair de uma crise.

No entanto, talvez essa mesma gente não saiba, mas ficar se lamentando (ou de mimimi, como dizem) só vai reiterar duas máximas sobre elas:

  1. Como disse o Lehman, “não conheço muitos pessimistas bem-sucedidos”;
  2. Somar-se a grande massa de gente inconformada e que vive buscando formas de se auto sabotar e terceirizar sua culpa, não vai te tirar da inércia por mágica. Consolo grupal conforta, sabemos, mas não paga suas contas.

Vai faltar uma coisa muito determinante: atitude.

Quer ver como isso muda tudo?

Passei alguns anos morando fora recentemente. E nessa jornada maravilhosa, tive o prazer de conhecer um assessorado dos nossos programas que conseguiu realizar com muito sucesso sua transição de uma forma mais incrível ainda.

Ele tinha acabado de ser demitido de uma Gerência de uma empresa familiar. Esposa grávida de 5 meses. Instabilidade política. Deterioração de variáveis macroeconômicas. Familiarizado com essa conjuntura?

Pois bem. Ele chegou perdido, ansioso como se espera de alguém nesse cenário. Mas o que ele poderia ter feito?

  1. Sentado e chorado?
  2. Esbravejado no LinkedIn, se queixado dos RHs de empresa e headhunters que não dão feedback?
  3. Por desespero, panfletado seu currículo para todo o mercado, sem foco?
  4. Feito exatamente o que todos fazem; se candidatar às mesmas vagas, nos mesmos canais competindo com 600 pessoas, em média, por posição e não tomando as rédeas do seu processo?

Ele fugiu de tudo isso. Fugiu da mesmice. Não só pensou, como agiu “fora-da-caixa”. Respirou. Tomou consciência, através de uma série de ferramentas que sugerimos, sobre o que lhe faltava.

A seu favor, diga-se, pesou o fato que ele era tecnicamente brilhante: ótimo background acadêmico, posição C-Level, pensava rápido e com lógica.

Mas, ao longo desses anos trabalhando nessa indústria de Outplacement e Recrutamento e Seleção, cansei de ver profissionais até mais bem preparados que ele que não tiveram o mesmo resultado. A diferença?

Depois de ter construído sua matriz SWOT, identificando os segmentos nos quais teria vantagem competitiva, seja por expertise ou mesmo por paixão, entrou a parte de capacitação.

E ressalto aqui a importância de estar bem treinado para fazer uma boa entrevista.

“Potência não é nada sem controle”, dizia o comercial da Pirelli. Se você não sabe o que dizer numa entrevista e não tem oportunidade de errar enquanto treina, sem dúvida poderá queimar um cartucho importante lá na frente.

O próximo passo, junto com a sua atitude, talvez tenha sido o mais incisivo. Ele tinha tido uma boa experiência no segmento de Commodities.

Conhecia relativamente bem o mercado. Mas não ao ponto de se sentir seguro o suficiente e discuti-lo com propriedade numa mesa de entrevista, como um CEO, por exemplo.

A partir daí se debruçou sobre o segmento. Estudou todos os players daquela commodity em especial, mapeou todas as empresas que faziam sentido e que estavam alinhadas a sua estratégia inicial de prospecção. E não desviou sua atenção por um minuto sequer.

Até esbarrar numa empresa que, pasmem, não estava nem contratando no seu país. Não havia vaga. Não havia anúncio. Não havia nada, simplesmente porque não estavam contratando.

Mas, por feeling ou excesso de atitude, não fez disso desculpa para abordar diretamente ao CEO dessa empresa, lhe propondo um encontro.

Essa empresa, se me permitem um pequeno parêntese, era uma multinacional estrangeira de grande porte, capital aberto e que não conhecia lá grandes coisas sobre o mercado local.

O próximo passo feito foi o que todos deveriam aprender: num almoço, reunião, café ou qualquer outro evento corporativo, nunca se esqueça de uma regrinha básica: fisiologismo corporativo. Nada se dá, tudo se troca.

E ele ofereceu em troca desse encontro um grande mapeamento de mercado ao CEO dessa empresa compartilhando, de fato, conhecimento, oportunidade e antecipação de soluções. Onde, como, quanto investir.

Riscos, oportunidades, contatos, projetos, competidores. Tudo.

O gringo, como você deve imaginar, ficou maravilhado com aquela proatividade toda. Afinal, não é todo dia que alguém te toca à porta oferecendo soluções mágicas, não é?

O desfecho? Você já deve imaginar. Ou você também não o teria contratado?

 

 

 

William Monteath