Não adianta só participar de processos. É preciso ir bem. Quer saber como?

Estamos chegando ao final de 2019 com um ano positivo para o mercado de trabalho, com uma pesquisa, segundo o IBGE, que mostra 90,1 milhões de pessoas ocupadas – apontando uma recente abertura de 157 mil vagas formais de trabalho. O número vem melhorando, mas ainda temos uma taxa alta de desemprego, de 11,8%  no fechamento de Agosto de 2019.

Conseguir participar de um processo seletivo não é uma tarefa fácil, é importante não desperdiçar a conquista com um mau desempenho durante as etapas do processo.

Como entrevistador profissional, separei alguns comportamentos inadequados a serem evitados e também dicas rápidas para ajudar a melhorar o desempenho na tão esperada (e muitas vezes temida) sala de entrevista.

Vamos lá!

:: Comportamento equivocado: Já vi muita gente sênior (gerentes experientes, diretores e vice-presidentes), gastando mais tempo na entrevista falando do porquê de ter entrado e saído de cada empresa, do que contando de fato as experiências, realizações e principais contribuições.

:: Dica: Invista mais tempo contando o que você fez, como fez, e se possível, já trazendo cases que corroborem com seu discurso. Isso seguramente vai gerar mais dinamismo para sua história inclusive a deixando mais interessante.

:: Comportamento equivocado: Não pesquisar sobre a empresa. Parece óbvio que devemos pesquisar ao máximo não só sobre a empresa como também sobre o nosso entrevistador(a), mas a verdade é que muita gente simplesmente não o faz.

:: Dica:

:: Sobre a empresa – entre no site da empresa e veja no detalhe todas as páginas e informações, com atenção especial para missão, visão e valores. Se for uma companhia de capital aberto, baixe os balanços e os comunicados aos investidores. Procure ainda no google notícias nacionais e internacionais relacionadas a empresa nos últimos anos (se ele passou por fusão, aquisição, etc). Veja sites que falem sobre a cultura da empresa, como o Love Mondays, por exemplo.

:: Sobre o entrevistador – é uma boa ideia ver o perfil de quem vai te entrevistar no LinkedIn, observar por quais empresas ele passou e se ele já escreveu algum artigo ou se já deu alguma entrevista (que pode ser procurada no youtube). Redes sociais também podem servir para geração de rapport. Imagina se você gosta de esquiar e a foto de seu interlocutor no FB é justamente esquiando no Valle Nevada.

:: Comportamento equivocado: Na hora de contar sobre o histórico profissional, já vi gente falando por 3 minutos, e gente contando a carreira em mais de uma hora. Uma vez pedi para um executivo me contar sobre as últimas três experiências profissionais, e ele me respondeu: “Claro, vou contar sim, mas antes deixar eu te explicar porque eu decidi fazer faculdade de contabilidade. O meu pai, que é contador, se formou em…”. Resultado: Eu tinha reservado uma hora para a entrevista (e ele foi avisado disso), e aconteceu que, educadamente, tive que interromper a reunião quando ele recém tinha terminado de contar sobre o histórico profissional do pai, para não atrasar o meu próximo compromisso.

:: Dica: Quando o entrevistador abrir para você contar sobre o histórico profissional, não seja 8 nem 80. Calcule que entre 20 e 30 minutos é um tempo bom para você falar sobre sua carreira, dando mais importância para as últimas 3 passagens ou para os últimos 10 anos de trajetória. Pense que geralmente uma entrevista dura entre 45 minutos e uma hora. Outra dica é interagir com seu interlocutor sempre que possível para saber se ele tem alguma pergunta ou dúvida sobre determinado tópico. Com isso você pode sentir a temperatura do que realmente mais importa para ele. Perguntar sempre ajuda! Às vezes, ele está interessado em saber sobre sua experiência como líder e você está gastando o tempo contando temas técnicos. Pergunte, escute, absorva e direcione. Ah, e seja simpático também. Sorriso sempre ajuda.

:: Comportamento equivocado: Estar vestido de maneira inapropriada. Terno e gravata para entrevista em agências de publicidade ou camiseta para entrevistas no mercado financeiro geralmente não estão em linha com o dress code da atividade. Perfumes exagerados também podem causar uma má impressão. Já saí algumas vezes da sala de entrevista enjoado devido aos excessos, assim como já vi candidatos não serem contratados pelos seus potencias chefes imediatos pelo mesmo motivo.

:: Dica: Sobre a maneira de se vestir, o linkedin também pode ser uma ferramenta interessante uma vez que mostra o perfil dos profissionais da empresa. Sobre o perfume, se resolver usar, prefira pecar pela falta do que pelo excesso.

:: Comportamento equivocado: Resposta fora da realidade sobre a expectativa salarial. Não seja ambicioso dizendo que quer ganhar o dobro e nem complacente demais a ponto de dizer que aceita metade do que você ganha ou ganhava.

:: Dica: Tire o foco da remuneração. Reforce seu interesse na empresa e em participar de um projeto interessante onde você possa se desenvolver e aportar com seus conhecimentos e habilidades. Se mesmo assim o entrevistador insistir em um número, passe as informações do seu atual (ou último) pacote de remuneração (incluindo bônus, variável e benefícios) e adicione sobre isso um percentual que você considerar justo. Para alguns pode ser inclusive o mesmo salário, e para outros, que de fato buscam um incremento salarial, o número não deve passar muito do que um 20% de acréscimo. Ok, no passado as pessoas mudavam por mais, porém hoje em dia os saltos estão bem mais suaves. Em outros casos, para os que estão buscando uma nova carreira, trabalhar em uma nova indústria, ou por acharem que ganhavam acima do mercado na última passagem, dizer que aceitam um percentual abaixo pode ser totalmente condizente com a situação atual de mercado. Nesse caso tome cuidado apenas para se desvalorizar demais.

:: Comportamento equivocado: Respostas clichês para aquela velha pergunta dos “pontos fracos ou de desenvolvimento” como “sou perfeccionista” ou “sou workaholic”.

:: Dica: Responda de maneira construtiva trazendo pontos onde de fato você gostaria de se desenvolver. Exemplo: “Estou sempre procurando melhorar meus idiomas. No inglês, por exemplo, tenho um nível avançado mas gostaria de ter mais fluência. Estou trabalhando para isso”. Ou “Tive pouco tempo de experiência liderando equipes, então sei que tenho muito a aprender e a me desenvolver nesse sentido”.

Claro que cada caso é um caso, mas espero ter ajudado com um pouco da minha experiência do outro lado da mesa na sala de entrevista. Sempre recomendo que se treine o discurso em casa o máximo possível. Treine como contar sua carreira até sentir-se confortável. Cronometre. Corrija. Adicione os cases. Faça novamente. Faça até ficar bom.

Como última dica, recomendo você ter boas perguntas na manga para uma eventual abertura para perguntas ao final da entrevista. Que tal algo como “Quais as características das pessoas de sucesso dentro da companhia? ”. Não preciso nem falar que perguntas em relação a férias ou aumento devem ser evitadas pelo menos em um momento inicial. Guarde-as para a etapa de recebimento da sonhada carta-oferta.

 

Por William Monteath

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